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sábado, 16 de março de 2013

Esloveno Slavoj Zizek faz palestra fragmentada no Recife

Slavoj Zizek esteve fora de sintonia com tradutora do evento. Credito: Paulo Paiva/DP/D.A Press.
Slavoj Zizek esteve fora de sintonia com tradutora do evento. Credito: Paulo Paiva/DP/D.A Press.

Atraso e problemas na tradução prejudicaram (e muito) a palestra do filósofo Slavoj Zizek, nesta sexta-feira (15). Diante de um Teatro da UFPE lotado, o autor de mais de 60 livros e falante compulsivo apenas pincelou alguns dos temas que lhe são caros: capitalismo, ideologia, desenvolvimento social, sempre de maneira polêmica. “Em vários países do mundo, para  o capitalismo crescer rapidamente, não é mais necessária a democracia. Observe a China, a Cingapura…”.

Na tentativa de explicar o que seria uma versão moderna da ideologia, afirmou que “as pessoas não querem viver participando de debates, falar sobre problemas sociais. Querem que exista um organismo invisível para fazer isso e que permita cada um cuidar da própria vida”. 

Ao citar Marx e Hegel, procurou ser bastante didático. Contou histórias supostamente engraçadas para retomar conceitos como “fetichismo de mercadoria” e “negação determinativa”. Entre as referências pop, uma de suas marcas, citou filmes como Lincoln (“uma horrível versão hollywoodiana da abolição da escravatura”) e Abraham Lincoln: caçador de vampiros, e a série televisiva Friends.

Leitor de muitas obras do esloveno, o geógrafo Michel Barbosa acredita que Zizek contou histórias demais e não se aprofundou em temas importantes. "Poderia ter comentado apartheids urbanos, movimentos como a Primavera Árabe, mas se prendeu a muitas histórias e metáforas. Foi um evento muito midiático, distante do que está contemplado em seus livros", opinou. 

Já o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Anísio Brasileiro, comentou que o problema com a tradução de fato prejudicou o evento, causando quebras de raciocício, mas que Zizek cumpriu bem o papel de convidar as pessoas para refletir e buscar soluções para a sociedade.

"É um filósofo de olhar curioso e instigante, que fala por meio de simbolismos sobre o que acontece no meio social. É uma maneira de retratar o cotidiano e questionar o porquê de as pessoas não reagirem, não terem projetos, de criticar o próprio capitalismo", disse o reitor. 

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2013/03/15/internas_viver,428865/esloveno-slavoj-zizek-faz-palestra-fragmentada-no-recife.shtml

domingo, 10 de março de 2013

Em Porto Alegre, Slavoj Žižek expõe seu pessimismo e a falta de rumos da esquerda



Foto: Ramiro Furquim/Sul21.
Natália Otto
O filósofo esloveno Slavoj Žižek sentou-se frente a uma plateia lotada na Câmara Municipal de Porto Alegre minutos após o anúncio da morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na noite de terça-feira (5). A fala de um dos maiores teóricos da esquerda contemporânea não poderia começar diferente: “Chávez era um de nós, independente do que se queira dizer sobre ele”, afirmou, enquanto o burburinho da notícia percorria a plateia.
“Todo mundo gosta de simpatizar com favelas, de fazer caridade. Caridade é o que existe de mais fashion no novo capitalismo global. Faz as pessoas se sentirem bem e, ao mesmo tempo, despolitiza a situação”, prosseguiu Žižek. “Todos querem fazer caridade, mas nem todos querem incluir a favela na política. Chávez viu que não incluir todos os excluídos significa viver em uma permanente guerra civil. Por isso ele viverá para sempre, acho”, sentenciou o teórico.
Nascido em Liubliana, na Eslovênia, em 1949, Žižek é considerado um dos principais nomes da teoria crítica na atualidade. Com mais de sessenta obras publicadas, o filósofo veio ao Brasil para lançar seu último livro, Menos Que Nada: Hegel e a sombra do materialismo histórico, pela editora Boitempo, que promoveu o evento.
Em uma fala inquieta e bem humorada, com espaço para longas digressões e até piadas, Žižek falou durante quase duas horas sobre os rumos – ou a falta deles – dos movimentos de esquerda contemporâneos.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21.
Chávez e o perigo do “oportunismo de princípios”
“Sempre tento ser um pessimista. Tento resistir a esse entusiasmo estilo ‘ah meu Deus, Chávez!’”, afirmou Žižek durante a breve entrevista coletiva que concedeu antes da palestra. Perguntado sobre os governos de esquerda da América Latina, e ainda sem saber da notícia da morte de Chávez, contou que, para ele, o problema principal é sempre de ordem econômica. “Nesse sentido, acho que talvez Chávez tenha sorte demais. Os amigos dele me dizem que ele não resolve problemas, ele pode se dar ao luxo de injetar dinheiro aonde queira”, explicou.
“Acho que o maior serviço que alguém pode prestar a todos esses movimentos de esquerda, como na América Latina, é, neste momento, sermos críticos e realistas. Para ser um utópico você precisa ser realista, senão você acaba se tornando um oportunista de princípios”, disse Žižek. E explicou: “É muito fácil não fazer nada politicamente, dizendo que não quero sujar minhas mãos, que sou fiel aos meus princípios, e ainda pensar ‘que maravilha, não traí meus ideais’. Mas essa é a tragédia da esquerda radical”, lamentou.
No momento em que o filósofo acabou sua fala sobre a América Latina, foi avisado de que Chávez havia falecido. “Bom, agora é a hora de sermos menos críticos”, reiterou. “A luta continua.”
Foto: Ramiro Furquim/Sul21.
Indecisão e falta de rumo marcam ações da esquerda e das elites dominantes
“As pessoas não sabem o que querem” foi quase um lema repetido por Žižek ao longo de toda sua fala. Para ele, nem as elites dominantes, a esquerda radical, os imperialistas, os manifestantes da Primavera Árabe e de Wall Street, ou mesmo os teóricos – nenhuma dessas pessoas tem ideia clara do que busca ou que está acontecendo com o mundo.
“A lição que tiramos de experiências como as da América Latina é que ainda não temos um novo modelo. O século XX acabou, o comunismo não funcionou, a social democracia e o estado de bem estar social funcionaram bem enquanto duraram, mas estão desaparecendo”, pontuou ele.
Apesar da atual falta de rumo da sociedade, o filósofo afirmou que não é suficiente dizer que vivemos em uma crise do capitalismo. Na China e na Coreia, ele lembrou, a economia prospera, assim como na maioria dos países subdesenvolvidos. “A crise existe apenas na Europa e ainda um pouco nos Estados Unidos”, afirmou.
Žižek apontou a crise financeira de 2008 como um exemplo que prova que nem mesmo as elites têm controle sobre a sociedade. “Os marxistas têm essa antiga paranoia de que há um centro imperialista, um grupo de pessoas que se encontra de dois em dois meses em algum lugar entre Washington e Wall Street para tomar todas as decisões”, brincou. “Seria até bom se houvesse um centro assim. Quanto mais eu vejo, mais percebo que isso não existe, e que eles (elites) não sabem o que estão fazendo”.
Ele falou sobre os movimentos sociais como o Occupy Wall Street, em que “pessoas protestam contra injustiça, querem democracia, sentem que o presente sistema econômico é injusto, mas nunca fica claro para onde elas estão se movendo”, explicou. Ainda assim, a postura de Žižek não é a de descartar esses movimentos, acentuando ser crucial evitar tanto o pragmatismo político quanto o “oportunismo de princípios” no momento da ação. “Não devemos pensar que temos problemas concretos para resolver, como o racismo, então podemos deixar a batalha ideológica totalmente de lado. Por outro lado, e acima de tudo, precisamos evitar oportunismos como dizer que o grande problema é o capitalismo e ficar sentados, esperando a grande revolução que nunca acontece”, afirmou.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
“O que conseguimos com uma modernidade alternativa é o capitalismo alternativo”
No contexto em que a esquerda não sabe o que quer, Žižek utiliza a filosofia do alemão G.F.W. Hegel para afirmar que, de fato, é impossível compreender por completo os rumos do futuro. “Hegel proíbe a especulação do futuro. Para ele, podemos apenas prever a abertura do futuro”, explicou o teórico. “Ele fala sobre a alienação da nossa vida, em que o processo é tão aberto que, quando você faz algo, não pode incluir no que você está fazendo as consequências da própria ação”.
O filósofo também falou sobre questões de eurocentrismo e multiculturalismo. Žižek citou o conceito de “modernidades alternativas”, que sugere uma ideia que é possível pensar uma modernidade para países em desenvolvimento, pós-coloniais, que não seja eurocêntrica. “O que conseguimos com a modernidade alternativa é o capitalismo alternativo”, afirmou ele.
“Acho que essa é uma tese muito perigosa. O marxismo compreende que há certos antagonismos que são inerentes ao capitalismo. A teoria da modernidade alternativa pensa esses antagonismos como se eles não pertencessem ao capitalismo em si, e sim a alguns tipos de capitalismo”, explicou. “O capitalismo é um fenômeno global, um sistema que pode funcionar em qualquer civilização. Devemos rejeitar essa ideia de um relativismo do capitalismo, pois ele é multicultural”, pontuou o filósofo.
Žižek afirmou que mesmo o imperialismo colonial foi multicultural, e usou como exemplo a colonização britânica na Índia, que teria reintroduzido o sistema de castas no país – depois tido pelos indianos como um traço cultural seu e, portanto, fazendo com que sua manutenção ganhasse a aparência de um ato anticolonialista. “Em um processo dialético, você perde alguma coisa, mas o que você perde não precede a perda. Você perde algo e retroativamente o sonho de ter o que você perdeu emerge”, explicou Žižek.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21.
A crise na Europa e a “ameaça liberal”
Sobre a recente crise na Europa e a decorrente ascensão do nazifascismo na região, em especial na Grécia, o filósofo afirmou que “o que está acontecendo na Europa não é um fenômeno mundial, e sim algo muito particular”. Para ele, estes grupos que buscam proteger o legado europeu são a verdadeira ameaça da região. “Há coisas no legado europeu pelas quais vale a pena lutar, como o estado de bem estar social, mas não é isso que está ocorrendo”, lamentou.
Ainda assim, Žižek lembrou do perigo de que a retórica contrária aos grupos nazifascistas consiga unir os liberais e os esquerdistas. “Eu não ficaria muito fascinado com esse perigo do novo fundamentalismo. É uma ameaça liberal, como se eles dissessem ‘esqueça as suas ideologias, temos um mesmo inimigo’, e não é tão simples assim”, explicou.
“Precisamos lembrar que são as dinâmicas do capitalismo global que geram o fundamentalismo”, ressaltou Žižek. “Então há um limite na interação entre os esquerdistas e os liberais na luta contra o fundamentalismo. Temos que permanecer esquerdistas como princípio”, pontuou.
Žižek, que diz de si mesmo não ser um “otimista fácil”, voltou à Hegel para finalizar sua fala pedindo que a esquerda não se deixe carregar “no trem da história”, aguardando passivamente um progresso futuro. “Se o capitalismo seguir no rumo em que está indo, vamos acabar com uma sociedade na qual eu não gostaria de viver”, alertou o filósofo. “Na Eslovênia, costumamos dizer que sempre há uma luz no final do túnel. E essa luz é, geralmente, o farol de um outro trem vindo na nossa direção”, sentenciou ele.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/03/em-porto-alegre-slavoj-zizek-expoe-seu-pessimismo-e-a-falta-de-rumos-da-esquerda/

Em Porto Alegre, Slavoj Žižek expõe seu pessimismo e a falta de rumos da esquerda


Por Natália Otto/SUL21

O filósofo esloveno Slavoj Žižek sentou-se frente a uma plateia lotada na Câmara Municipal de Porto Alegre minutos após o anúncio da morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na noite de terça-feira (5). A fala de um dos maiores teóricos da esquerda contemporânea não poderia começar diferente: “Chávez era um de nós, independente do que se queira dizer sobre ele”, afirmou, enquanto o burburinho da notícia percorria a plateia.

“Todo mundo gosta de simpatizar com favelas, de fazer caridade. Caridade é o que existe de mais fashion no novo capitalismo global. Faz as pessoas se sentirem bem e, ao mesmo tempo, despolitiza a situação”, prosseguiu Žižek. “Todos querem fazer caridade, mas nem todos querem incluir a favela na política. Chávez viu que não incluir todos os excluídos significa viver em uma permanente guerra civil. Por isso ele viverá para sempre, acho”, sentenciou o teórico.
Nascido em Liubliana, na Eslovênia, em 1949, Žižek é considerado um dos principais nomes da teoria crítica na atualidade. Com mais de sessenta obras publicadas, o filósofo veio ao Brasil para lançar seu último livro, Menos Que Nada: Hegel e a sombra do materialismo histórico, pela editora Boitempo, que promoveu o evento.
Em uma fala inquieta e bem humorada, com espaço para longas digressões e até piadas, Žižek falou durante quase duas horas sobre os rumos – ou a falta deles – dos movimentos de esquerda contemporâneos.

Chávez e o perigo do “oportunismo de princípios”

“Sempre tento ser um pessimista. Tento resistir a esse entusiasmo estilo ‘ah meu Deus, Chávez!’”, afirmou Žižek durante a breve entrevista coletiva que concedeu antes da palestra. Perguntado sobre os governos de esquerda da América Latina, e ainda sem saber da notícia da morte de Chávez, contou que, para ele, o problema principal é sempre de ordem econômica. “Nesse sentido, acho que talvez Chávez tenha sorte demais. Os amigos dele me dizem que ele não resolve problemas, ele pode se dar ao luxo de injetar dinheiro aonde queira”, explicou.
“Acho que o maior serviço que alguém pode prestar a todos esses movimentos de esquerda, como na América Latina, é, neste momento, sermos críticos e realistas. Para ser um utópico você precisa ser realista, senão você acaba se tornando um oportunista de princípios”, disse Žižek. E explicou: “É muito fácil não fazer nada politicamente, dizendo que não quero sujar minhas mãos, que sou fiel aos meus princípios, e ainda pensar ‘que maravilha, não traí meus ideais’. Mas essa é a tragédia da esquerda radical”, lamentou.
No momento em que o filósofo acabou sua fala sobre a América Latina, foi avisado de que Chávez havia falecido. “Bom, agora é a hora de sermos menos críticos”, reiterou. “A luta continua.”

Fonte: http://anacarolinapontolivre.wordpress.com/2013/03/07/em-porto-alegre-slavoj-zizek-por-natalia-ottosul21/

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Slavoj Zizek - Da Tragédia à Farsa




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Video: "A realidade do Virtual"


De Papai Noel à Democrácia, Zizek realiza nesta leitura exclusivamente para filmagem, uma série de reflexões. O video foi realizado em 11 de dezembro de 2003, em Londres. Está dividido em 7 partes, que se sucedem automaticamente.
Fonte: http://mariborchan.com/



Partes: 7
Ano: 2003
Audio: Inglês
Legendas: Não

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Video: "Materialismo e Teologia"


"Materialism and Theology"
Aula aberta de Slavoj Zizek na European Graduate School EGS, Media and Communication Studies department program.

Partes: 8
Ano: 2007
Audio: Inglês
Legendas: Não

Fonte: http://www.egs.edu 

domingo, 31 de janeiro de 2010

Slavoj Zizek - Rules, Race, and Mel Gibson, EGS (2006)


http://www.egs.edu/

Slavoj Zizek fala sobre o explícito, a verdade, as regras, a política, Mel Gibson, a sociedade, raça, racismo, anti-semitismo e descreve uma psicanálise da cultura e das sociedades. A palestra aberta aos alunos da European Graduate School EGS, 2006. (Video dividido em 8 partes)


Ano: 2006
Audio: Inglês
Legendas: Não

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Anti-semitismo, anti-semita e judeu


 
No total são oito videos, que podem ser conferidos um de cada vez através deste player. Após cada video, o seguinte começará imediatamente.

European Graduate School, 2009.
Fonte: http://mariborchan.com/2009/09/29/slavoj-zizek-anti-semitism-anti-semite-and-jew/




Ano: 2009
Audio: Inglês
Legendas: Não


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Transcrição do Debate "What does it mean be a revolutionary today "


"What does it mean be a revolutionary today "
"O que significa ser um revolucionário hoje?[1] "



Eu gostaria de começar com Adorno que, no início de seus “Três estudos sobre Hegel”, rejeita esta tradicional e condescendente questão: “o que ainda está vivo? O que está morto em Hegel?”. De acordo com Adorno, tal questão pressupõe uma posição arrogante de um juiz que pode graciosamente considerar "Sim, isto ainda é atual para nós." Mas Adorno aponta que, quando estamos lidando com um filósofo verdadeiramente grande, a questão a ser levantada não é "o que este filósofo ainda pode nos dizer?", mas, o oposto: "como nossa situação contemporânea aparece aos seus olhos? Como nossa época apareceria ao seu pensamento?". O mesmo deve ser feito com o comunismo, em vez de perguntar a óbvia e estúpida questão: "A idéia de comunismo ainda é pertinente hoje? Pode ainda ser usada como ferramenta de análise e prática política?"; deveríamos perguntar, acredito, a pergunta oposta: "Como a nossa situação atual aparece da perspectiva da idéia comunista?”. Esta é a dialética do velho e do novo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Palestra de Slavoj Zizek no SESC Vila Mariana, São Paulo

Em 14 de outubro de 2008, Slavoj Zizek realizou a palestra no SESC Vila Mariana, em São Paulo.

1ª Parte:




2ª Parte:



3ª Parte:



4ª Parte:



5ª Parte:



6ª Parte:



As falas de Zizek estão em inglês, e ainda não foram legendadas.