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domingo, 16 de setembro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
domingo, 20 de junho de 2010
Se hoje respondemos a um chamado direto para agir, essa ação não é desempenhada num espaço vazio – é um ato dentro das coordenadas ideológicas hegemônicas: aqueles que “realmente querem fazer algo para ajudar as pessoas” se envolvem (sem dúvida honrosamente) em iniciativas como Médicos sem Fronteiras, Greenpeace, campanhas feministas e anti-racistas, que são todas não apenas toleradas, mas até mesmo apoiadas pela mídia, ainda que pareçam violar o território econômico (por exemplo, denunciando e boicotando empresas que não respeitam as condições ecológicas ou que usam mão-de-obra infantil) – elas são toleradas e apoiadas desde que não se aproximem demais de um certo limite.
Esse tipo de atividade fornece o exemplo perfeito de interpassividade: de fazer coisas não para conseguir algo, mas para impedir que algo realmente aconteça, que realmente mude. Toda essa frenética atividade humanitária, politicamente correta, etc., cabe na fórmula: “vamos continuar mudando algo todo o tempo para que, globalmente, as coisas fiquem iguais”. Se os estudos culturais via de regra criticam o capitalismo, eles o fazem da maneira codificada exemplificada pela paranóia liberal de Hollywood: o inimigo é “o sistema”, a organização “oculta”, a “conspiração” antidemocrática; e não simplesmente o capitalismo e os aparelhos de Estado. O problema dessa postura crítica não é apenas que substitui a análise social concreta por uma luta contra fantasias paranóicas abstratas, mas que – num gesto paranóico típico –, ela desnecessariamente duplica a realidade social, como se houvesse uma organização secreta por trás dos órgãos capitalistas e de Estado “visíveis”. O que devemos aceitar é que não há necessidade de uma “organização dentro de uma organização”: a “conspiração” já está na organização visível como tal, no sistema capitalista, na forma como o espaço político e os aparelhos de Estado agem.
(Trecho retirado de "Às portas da revolução", 2005, p 177)
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Transcrição do Debate "What does it mean be a revolutionary today "
"What does it mean be a revolutionary today "
"O que significa ser um revolucionário hoje?[1] "
"O que significa ser um revolucionário hoje?[1] "
Eu gostaria de começar com Adorno que, no início de seus “Três estudos sobre Hegel”, rejeita esta tradicional e condescendente questão: “o que ainda está vivo? O que está morto em Hegel?”. De acordo com Adorno, tal questão pressupõe uma posição arrogante de um juiz que pode graciosamente considerar "Sim, isto ainda é atual para nós." Mas Adorno aponta que, quando estamos lidando com um filósofo verdadeiramente grande, a questão a ser levantada não é "o que este filósofo ainda pode nos dizer?", mas, o oposto: "como nossa situação contemporânea aparece aos seus olhos? Como nossa época apareceria ao seu pensamento?". O mesmo deve ser feito com o comunismo, em vez de perguntar a óbvia e estúpida questão: "A idéia de comunismo ainda é pertinente hoje? Pode ainda ser usada como ferramenta de análise e prática política?"; deveríamos perguntar, acredito, a pergunta oposta: "Como a nossa situação atual aparece da perspectiva da idéia comunista?”. Esta é a dialética do velho e do novo.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Transcrição da Entrevista de Slavoj Zizek para a Euronews
O video desta entrevista está disponível aqui, na seção "videos", aqui postamos a transcrição divulgada pela Euronews, em português.
Slavoj Zizek é um dos maiores pensadores da Europa. O filósofo e sociólogo esloveno escreve sobre temas como Lenine, ciberespaço, pós-modernismo, pós-Marxismo ou Alfred Hitchcock. Foi no Festival de Cinema de Sarajevo que a euronews falou com Zizek, acerca de cinema, dos Balcãs e de multiculturalismo. Na capital da Bósnia-Herzegovina, o Festival de Cinema desempenha um papel relevante para reconstruir a auto-confiança da cidade. Sarajevo esteve cercada quatro anos durante a Guerra da Bósnia.
euronews: O senhor é convidado do Festival de Cinema de Sarajevo… qual é o papel dos filmes e do cinema na sociedade de hoje?