segunda-feira, 9 de abril de 2012
Occupy lançado em São Paulo
Passados três meses do final de 2011, começam a aparecer, em todo o mundo, livros que procuram jogar luz sobre este ano emblemático. Talvez o primeiro deles, no Brasil, seja Occupy, da Editora Boitempo. Seu lançamento ocorrerá nesta quarta-feira (4/4), em São Paulo, com presença de alguns dos autores ilustres: Henrique Carneiro (o organizador), Vladimir Safatle, Leonardo Sakamoto, Edson Teles e Giovanni Alves. Eles estarão, entre 20h e 23h, no Espaço Cult, na Vila Madalena: Rua Inácio Pereira da Rocha, 400 (veja mapa). Até as 21h, haverá debate. Depois, coquetel.
A obra é uma coletânea. A maior parte dos onze textos foi escrita ainda no ano passado, no calor dos acontecimentos. Como indica o título, eles referem-se, em sua maioria, às ocupações ocorridas, a partir de setembro, nos Estados Unidos. Mas há também artigos sobre a Primavera Árabe e as mobilizações na Europa. Além de autores internacionais (Immanuel Wallerstein, Slavoj Zizek, Tariq Ali, David Harvey, Mike Davis) alguns dos quais participaram ativamente dos acontecimentos, comparecem os brasileiros Safatle, Emir Sader, Edson Teles, Giovanni Alves e João Alexandre Perchanski. Além de selecionar os artigos, Henrique Carneiro escreve uma alentada introdução.
Graças a uma série de colaborações, o livro poderá ser vendido por R$ 10. Os autores, por exemplo, cederam gratuitamente seus direitos autorais. Outras Palavras participou oferecendo o texto A esquerda Mundial após 2011, escrito por Immanuel Wallerstein e traduzido por Daniela Frabasile, nossa colaboradora. Para celebrar o lançamento, publicaremos, nas próximas horas, mais um dos artigos do livro, redigido por Myke Davis.
Fonte: http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/04/04/occupy-lancado-hoje-em-sao-paulo/
terça-feira, 27 de março de 2012
Depoimento de Slavoj Žižek em comemoração aos 90 anos de fundação do PCB
Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista Brasileiro comemora 90 anos em 2012. Confira abaixo mensagem enviada pelo filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Žižek em celebração ao aniversário do PCB:
Em seu livro Passagens, Walter Benjamin cita o historiador francês André Monglond: “O passado deixou imagens de si mesmo em textos literários, imagens comparáveis àquelas impressas pela luz em uma placa fotossensível. O próprio futuro possui desenvolverdores ativos o suficiente para examinar essas superfícies com perfeição.” Explosões emancipatórias radicais não podem ser entendidas como parte do continuum do passado/presente – devemos trazer à tona a perspectiva do futuro, ou seja, analisá-las como fragmentos limitados e distorcidos (às vezes até mesmo pervertidos) de um futuro utópico que se encontra adormecido no presente, como o seu potencial escondido. Eventos como os protestos do Occupy Wall Street, a Primavera Árabe, as manifestações na Grécia, na Espanha etc. devem ser compreendidos como tais sinais do futuro. Esta a tarefa do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao completar 90 anos especialmente nos tempos deprimentes em que vivemos, quando o comunismo em si é muitas vezes identificado como coisa do passado. – Slavoj Žižek
Fonte: http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/03/23/depoimento-de-slavoj-zizek-em-comemoracao-aos-90-anos-de-fundacao-do-pcb/
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Slavoj Zizek - Reapropriações: a lição de Mulá Omar.
Cap. 2 de Bem vindo ao deserto do real
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/bem_vindo_ao_deserto_do_real_cap2.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/bem_vindo_ao_deserto_do_real_cap2.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
domingo, 31 de julho de 2011
Slavoj Zizek - Bem vindo ao deserto do real - Posfácio
Posfácio do livro.
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/bem_vindo_ao_deserto_do_real_posfacio.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/bem_vindo_ao_deserto_do_real_posfacio.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
sábado, 30 de julho de 2011
Jorge Barcellos - "Desfruta ou te devoro. A nova onda do comunismo"
Em duas obras recém-lançadas no Brasil, o esloveno Slavoj Zizek imagina alternativas para um mundo que vê marchar em direção a um capitalismo autoritário no modelo chinês.
O artigo é de Jorge Barcellos, doutorando em educação pela UFRGS, coordenador do Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre, publicado no jornal Zero Hora, 09-07-2011.
Eis o artigo.
O que torna profundamente atual o pensamento do esloveno Slavoj Zizek, de quem a editora Boitempo acaba de lançar Em Defesa das Causas Perdidas e Primeiro como Tragédia, depois como Farsa, é seu trabalho sobre a ideologia. Não se trata da retomada de O Mapa da Ideologia, obra sua já conhecida dos brasileiros, mas do aprofundamento de aspectos de O Sublime Objeto da Ideologia (Siglo XXI, 2005, inédito no Brasil). Nesse livro de 2005, Zizek integrou de forma original as percepções psicanalíticas da fantasia à crítica marxista da ideologia. Isto lhe lhe permitiu, pela primeira vez, propor uma teoria de como funciona a ideologia no plano subjetivo: “Não existe a crença comum, o que existe é a crença em que os outros creem”.
Zizek reconstrói os processos que fazem homens, em determinadas circunstâncias, justificarem e darem um ar de verdade a uma mentira, numa espécie de construção coletiva . O “vamos fingir que as regras funcionam” oculta, entretanto, o fato de que as instituições no capitalismo contemporâneo estão falidas e ninguém de fato acredita nelas. Agimos como na fantasia de Papai Noel: nem os adultos nem as crianças acreditam mais nele. Pior: agimos assim com nossas instituições, inclusive com a democracia. A subjetividade também está sob tremenda pressão da ideologia: cuidado, o capitalismo quer dar um significado a sua vida, diz Zizek. Ele toma como exemplo os anos que passamos consumindo publicidade, uma das melhores formas de se pensar o que acontece com nossa subjetividade. Nos anos 1960, a propaganda automobilista vendia as qualidades de um carro; nos anos 1970, o status que ele oferece ao consumidor para finalmente, hoje, ser a promessa de libertação da sociedade opressora.
Para Zizek, o capitalismo contemporâneo é profundamente ideológico: “A política desse capitalismo é a despolitização para que não haja mais uma ideologia clara”. Na sociedade de consumo (um conceito caro a Baudrillard), a ideologia vendida é a ideologia da diversão como na expressão latina Carpe diem (“Aproveitem o dia”). Nada mais comprovador do conceito de Lacan – apropriado por Zizek – de gozo excedente, um gozo que nos suborna para mascarar os nossos problemas. A solução, para Zizek, é o retorno à noção de economia política tal como proposta por Marx: politizar a economia, e é nesse sentido que Zizek mais se aproxima de outro teórico do marxismo, Robert Kurz. A ideologia do capitalismo contemporâneo, sustenta Zizek, quer que acreditemos que a economia não tem nada haver com a política: ela quer uma sociedade apolítica, e para isso constrói a ideia de que é besteira discutir política. Nisto reside a radicalidade de Zizek: ele quer que a democracia se garanta sem as influências das pressões de mercado.
Yannis Stavrakakis, em A Esquerda Lacaniana – Psicanálise, Teoria, Política (Fondo de Cultura Econômica, 2010, inédito no Brasil), deu-se conta que o pensamento de Zizek consolidou-se ao longo dos últimos 15 anos, período em que a psicanálise e a teoria lacaniana passaram a ser recursos importantes na reorientação da teoria política contemporânea. Essa posição, para qual boa parte dos cientistas políticos torce o nariz, origina-se no próprio pensamento de Lacan, que não foi apolítico – ao contrário, fez críticas ao American way of life, ao capitalismo americano e à sociedade de consumo, o que o levou a associar sua noção de mais-gozo à noção de mais-valia de Marx. Nesse caminho estão Zizek, Cornelius Castoriadis, Alain Badiou e especialmente Ernesto Laclau, para quem “a teoria lacaniana aponta ferramentas decisivas para a formulação de uma teoria da hegemonia”, daí a definição de seu horizonte teórico-politico em termos de “esquerda lacaniana”, nítido campo de intervenções políticas e teóricas a partir da psicanálise – mas não somente dela – que parte para a crítica da hegemonia capitalista contemporânea.
Em Primeiro como Tragédia, depois como Farsa, lançado simultaneamente pela Verso (Londres) e Flamarion (Paris) em 2009, Zizek pergunta se estamos preparados para a história que se impõe sobre nossas cabeças desde os ataques de 11 de Setembro. Ele mostra as manobras por detrás das ideologias levantadas pela atual crise (2008) e que levou bilhões de dólares para os bancos. Para Zizek, o que é profundamente ideológico é tratar as crises do capitalismo como algo estranho ao próprio capitalismo, ideia que deseja vender a imagem de um mercado capitalista regulado de outro modo. Ao contrário, ele nos mostra cada vez mais o capitalismo sobrevivendo abaixo de terapias de choque, num mercado que exige violência extramercado para seu funcionamento.
Já na obra Em Defesa das Causas Perdidas, Zizek vai contra o pensamento hegemônico que vê a democracia liberal, as vezes dita pós-moderna, como o melhor dos mundos frente ao passado das lutas comunistas. Isso não quer dizer que as “causas perdidas” que defende estejam abrigadas pelo teto do Fórum Social Mundial: para Zizek, seu lema “Um outro mundo é possível” mostra que seus protagonistas ainda relacionam-se demais com a estrutura já posta pelo capitalismo. Para fazer seu caminho, ele faz a opção por retornar ao marxismo a sua maneira, o que tem o peculiar efeito de chamar a atenção mundial sobre sua obra: não há dúvida, o que Zizek faz é tornar sedutor o marxismo para as novas gerações. Para isso articula Lacan, Hegel e Marx com cinema, música, cultura popular e a crítica dos objetos de consumo. Em Defesa das Causas Perdidas, entretanto, padece do problema comum aos grandes pensadores contemporâneos: como produzem demais, escrevem demais, torna-se frequente encontrar traços de obras anteriores nas seguintes. Não há como deixar de ver no capítulo 2, Lições do Passado, o eco de suas obras anteriores sobre Robespierre e Mao, ou dos estudos anteriores que fez sobre o stalinismo publicados em espanhol. Há, entretanto, reflexões sobre o pensamento de Heidegger extremamente originais e que não haviam aparecido anteriormente, contudo. E é claro, Zizek sempre é um grande contador de causos que sintetizam brilhantemente suas ideias. Em um determinado momento de sua obra, ele cita a ficha de um hotel americano: “Prezado cliente: para garantir que você vai desfrutar sua estadia conosco, o fumo está totalmente proibido neste hotel. Qualquer violação deste regulamento resultará numa multa de US$ 200”. Assim é o capitalismo, diz Zizek: estamos condenados a ser castigados se recursarmos a desfrutá-lo plenamente. Zizek quer nos mostrar o cinismo do capitalismo contemporâneo em sua caminhada em direção a um capitalismo autoritário, contrário ao direitos humanos, como anuncia o caso chinês. E o grande perigo é que ele pode estar certo.
Slavoj Zizek - O materialismo dialético bate à porta.
Introdução de Visão em paralaxe.
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/visao_em_paralaxe_-_introducao.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/visao_em_paralaxe_-_introducao.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Slavoj Zizek - Hollywood hoje: notícias de um FRONT ideológico.
Prefácio à edição brasileira de Lacrimae rerum.
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/lacrimae_rerum__prefacio.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek
Download: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/lacrimae_rerum__prefacio.pdf
Fonte: http://revolucoes.org.br/v1/seminario/slavoj-zizek