quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


Entrevista de Slavoj Zizek para o programa HardTalk, da BBC News, em Novembro de 2009.
A entrevista é em inglês e ainda não possui legendas.


Partes: 3
Ano: 2009
Audio: Inglês
Legendas: Não








Documentário: Zizek! (2005)



Zizek! é um documentário que acompanha o filósofo esloveno Slavoj Zizek por diversas conferências e entrevistas nas quais o pensador fala sobre os temas que mais marcaram sua trajetória, tais como cinema, a política, o conceito de ideologia, o consumo, a ironia, o pensamento cínico, a psicanálise lacaniana, o stalinismo. Fazendo também uma análise de sua trajetória desde os tempos da dissidência na Eslovênia até sua alta popularidade nos últimos anos, quando passa a ser chamado de um filósofo ’superstar’, aliás, traça uma interpretação de sua grande popularidade como uma resistência a ser levado a sério.
Gênero: Documentário / Filosofia
Diretor: Astra Taylor
Duração: 71 minutos
Ano de Lançamento: 2005
País de Origem: Estados Unidos / Canadá
Idioma do Áudio: Inglês
Qualidade de Vídeo: DVD Rip
Tamanho: 700 Mb
Legendas: Em anexo


Entrevista pelo The Guardian, em agosto de 2008 (tradução própria)






Entrevista originalmente publicada no The Guardian, por Rossanna Greenstreet, em 9 de agosto de 2008. A tradução do original em inglês foi realizada para http://slavoj-zizek.blogspot.com, pela nossa equipe.






Slavoj Žižek. Photograph: Mykel Nicolaou/Rex

Slavoj Zizek, 59, nasceu em Ljubljana, Eslovénia. Ele é professor da European Graduate School, diretor internacional do Instituto de Ciências Humanas Birkbeck, em Londres, e investigador sênior do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. Ele já escreveu mais de 30 livros sobre temas tão diversos como Hitchcock, Lênin e 9/11, e também apresentou a série de TV The Pervert's Guide To Cinema.

Quando você foi mais feliz? 
Algumas vezes quando eu olhava para um momento feliz passado e lembrava-me dele - nunca enquanto ele estava acontecendo.

Qual é o seu maior medo? 
Acordar depois de morto - é por isso que eu quero ser queimado imediatamente.

Qual é a sua lembrança mais antiga? 
Minha mãe despida. Bastante desagrad.

Que pessoa viva você mais admira e por quê? 
Jean-Bertrand Aristide, o presidente, duas vezes deposto, do Haiti. Ele pode servir de modelo para as pessoas, mesmo em situações desesperadoras.

Qual é a característica que mais deplora em si mesmo? 
Indiferença com os males dos outros.

Qual é a característica que mais deplora em outras pessoas? 
Suas desprezíveis disponibilidades para me oferecer ajuda quando eu não preciso ou não quero.

Qual foi o momento mais embaraçoso? 
Estar sem roupas na frente de uma mulher antes de fazer amor.

Sem ser uma propriedade, qual a coisa mais cara que você comprou? 
A nova edição alemã da obras completas de Hegel.

Qual é o seu bem mais valioso? 
Veja a resposta anterior.

O que o deixa deprimido? 
Ver pessoas estúpidas felizes.

O que você mais gosta na sua aparência? 
Ela faz com que eu pareça do jeito que eu realmente sou.

Qual é o seu hábito mais desagradável? 
Os tiques excessivamente ridículos das minhas mãos enquanto eu falo.

O que você escolheria para vestir para se fantasiar? 
Uma máscara do meu próprio rosto, para que as pessoas pensem que não sou eu, mas apenas alguém querendo se passar por mim.

Sobre qual prazer sente mais culpa? 
Assistir embaraçadamente filmes patéticos como Embaraçosamente patético assistir filmes como "A noviça rebeld" ("The Sound Of Music").

O que você deve a seus pais? 
Nada, eu espero. Eu não gastei nem um minuto lamentando a morte deles.

Para quem você mais gostaria de pedir desculpas, e por quê? 
Para meus filhos, por não ser um pai bom o bastante.

Como o sentimento de amor lhe parece? 
Como um grande infortúnio, um parasita monstruoso, um permanente estado de emergência que arruina todos os pequenos prazeres.

O que ou quem é o amor da sua vida? 
Filosofia. Eu secretamente acho que a realidade existe, então nós podemos especular a respeito dela.

Qual é o seu cheiro preferido? 
Natureza em decomposição, como árvores podres.

Alguma vez você já disse "eu te amo" e não quis dizer isso? 
O tempo todo. Quando eu realmente amo alguém tudo o que eu consigo fazer são comentários agressivos e de mau gosto.

Que pessoa viva você mais despreza, e porquê? 
Os médicos que auxiliam torturadores.

Qual é o pior trabalho que você já fez? 
Ensino. Eu odeio alunos, eles são (como todas as pessoas), na maior parte das vezes, estúpidos e enfadonhos.

Qual foi sua maior decepção? 
O que Alain Badiou chama de "desastre obscuro" do século 20: a falha catastrófica do comunismo.

Se você pudesse modificar o seu passado, o que mudaria? 
Meu nascimento. Concordo com Sófocles: a maior sorte é não ter nascido - mas, a piada continua, muito poucas pessoas conseguem isso.

Se você pudesse voltar no tempo, onde você iria? 
Para a Alemanha no início do século XIX, para seguir um curso universitário de Hegel.

O que você faz para relaxar? 
Ouvindo de novo e de novo Wagner.

Quantas vezes você faz sexo? 
Isso depende do que se entende por sexo Se for a habitual masturbação com um parceiro, eu tento não fazer isso todo o tempo.

Qual o mais próximo que já esteve da morte? 
Quando eu tive um leve ataque cardíaco. Foi quando eu comecei a odiar o meu corpo: ele se recusou a cumprir seu dever se servir-me cegamente.

Qual coisa simples poderia melhorar a sua qualidade de vida? 
Evitar a senilidade.

O que você considera ser a sua maior conquista? 
Os capítulos onde eu desenvolvi o que eu acho que é uma boa interpretação de Hegel.

Qual é a lição mais importante que a vida lhe ensinou? 
Que a vida é uma coisa estúpida e sem sentido, que não tem nada a ensinar.

Conte-nos um segredo. 
O comunismo irá vencer.

O original pode ser conferido em: http://www.guardian.co.uk/lifeandstyle/2008/aug/09/slavoj.zizek

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010



''A ecologia é o ópio do povo''. Entrevista com Slavoj Zizek


Esta entrevista foi realizada pelo professor Ricardo Sanín, do Departamento de Filosofia e História do Direito da Universidade Javeriana, da Colômbia, sendo cedida a MAGIS por intermédio do professor dos PPGs em Filosofia e Direito da Unisinos, Alfredo Culleton. Sanin e Culleton (também responsável pela tradução e introdução da entrevista) trabalham em cooperação em projeto de desenvolvimento de uma Teoria Crítica dos Direitos Humanos, junto com o professor Costas Douzinas, da Universidade de Londres. 
A entrevista foi publicada por Magis, Revista da Unisinos, no. 05, dez 2009-jan 2010.
Eis a entrevista.

O senhor tem insistido que tanto o multiculturalismo quanto os movimentos ecológicos não abordam os problemas políticos verdadeiramente agudos e relevantes para o mundo. Por quê?  

O multiculturalismo passa por cima dos problemas políticos verdadeiramente relevantes e agudos quando os reduz a meros problemas culturais. Quando lidamos com um problema real, tanto sua designação ideológica como sua percepção como tal introduz uma mistificação invisível. Digamos que a tolerância designa um problema real. É claro, sempre me perguntam: “Como você pode concordar com a intolerância com os estrangeiros, estar de acordo com o antifeminismo ou ao lado da homofobia?”. Aí reside a armadilha. Evidentemente, não estou de acordo. Ao que me oponho é à nossa percepção automática do racismo como mero problema de tolerância. Por que tantos problemas atualmente são percebidos como problemas de intolerância, em vez de serem entendidos como problemas de iniquidade, exploração e injustiça? Por que o remédio tem de ser a tolerância em vez de a emancipação, a luta política, ou ainda a luta política armada? A resposta imediata está na operação básica do multiculturalismo liberal: “a culturização da política”. As diferenças políticas, diferenças condicionadas pela iniquidade política ou a exploração econômica, se naturalizam como simples diferenças “culturais”. A causa desta culturização é o retrocesso, o fracasso das soluções políticas diretas, tais como o estado social. A tolerância é seu ersatz ou sucedâneo pós-político. A ideologia é, neste preciso sentido, uma noção que, enquanto designa um problema real, dilui uma fronteira de separação crucial.

E quanto à ecologia?

É precisamente no terreno da ecologia que podemos delinear a demarcação entre a política da emancipação e a política do medo na sua forma mais pura. De longe, a versão predominante da ecologia é a da ecologia do medo – medo da catástrofe, humana ou natural, que pode perturbar profundamente ou mesmo destruir a civilização humana. Essa ecologia do medo tem todas as oportunidades de se converter na forma ideológica predominante do capitalismo global, um novo ópio das massas que sucede o da religião. Assume a função fundamental da religião, aquela de impor uma autoridade inquestionável que estabelece todo limite. Apesar de os ecologistas exigirem permanentemente que mudemos radicalmente nossa forma de vida, é precisamente isso que subjaz a essa exigência no seu oposto, isto é, uma profunda desconfiança em relação à mudança, em relação ao desenvolvimento, em relação ao progresso: cada transformação radical pode conter a consequência inestimada de detonar uma catástrofe. É exatamente essa desconfiança que converte a ecologia em um candidato ideal para tomar o lugar de uma ideologia hegemônica, pois faz eco da desconfiança em relação aos grandes atos coletivos.

Afinal, de qual natureza estamos falando?

A “natureza” como condição de domínio, de reprodução balanceada, de implantação orgânica dentro da qual intervém a humanidade com a sua desmedida, destruindo brutalmente sua moção circular, não é outra coisa que a fantasia do ser humano; a natureza já é de fato uma “segunda natureza”, seu equilíbrio é sempre secundário, trata-se de uma tentativa de negociar um “hábito” que restauraria alguma ordem depois das intervenções catastróficas. A lição que devemos colher é a de que, se não podemos estar seguros de qual será o resultado final das intervenções humanas na biosfera, uma coisa é certa: se a humanidade detivesse abruptamente sua imensa atividade industrial e deixasse que a natureza tomasse seu curso equilibrado, o resultado seria uma ruptura total, uma catástrofe inimaginável.  A “natureza” na Terra está tão adaptada às intervenções humanas, a “contaminação” humana está a tal ponto incluída no frágil e instável equilíbrio da reprodução “natural”, que a interrupção intempestiva da ação humana causaria um desequilíbrio catastrófico. É isso precisamente que demonstra que a humanidade não tem como retroceder: não só não há um “grande Outro” (uma ordem simbólica autocontida que seja a última garantia do significado), assim como também não existe uma natureza que contenha uma ordem equilibrada ou de autoprodução e cujo equilíbrio tenha sido perturbado e descarrilado pela intervenção humana desbalanceada. Não só o grande Outro tem sido “gradeado”, a natureza também.

Existe o mito fundamental segundo o qual o liberalismo é o lar da democracia. É a democracia uma produção do liberalismo?

Não, todas as características que hoje identificamos com a democracia liberal e com a liberdade (sindicatos, sufrágio universal, educação universal e gratuita, liberdade de imprensa etc.) foram obtidas pelas classes mais baixas em uma longa e difícil luta no transcurso do século XIX. Tais lutas estavam longe de ser uma consequencia “natural” das relações capitalistas. Lembra a lista de demandas que conclui o Manifesto Comunista: a maioria delas – à exceção da abolição da propriedade privada dos meios de produção, precisamente como resultado das lutas populares – hoje é amplamente aceita nas democracias “burguesas”. Outro aspecto que se ignora constantemente: hoje, a igualdade entre brancos e negros se celebra como parte do “sonho americano”, se percebe como um axioma ético-político. Sem dúvida, nos anos 1920 e 1930 do século passado, os comunistas dos Estados Unidos foram a única força política que argumentou a favor da igualdade absoluta entre as etnias. Aqueles que defendem a existência de um vínculo natural entre o liberalismo e a democracia estão equivocados.

Pode a política ser sublime em uma era pós-ideológica?

A tendência geral é para o ridículo. A figura do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, é aqui fundamental, visto que hoje a Itália é efetivamente um tipo de laboratório experimental do nosso futuro. Se o cenário político é dividido entre um tecnocratismo permissivo-liberal e um fundamentalismo populista, Berlusconi tem o grande mérito de ser ambos ao mesmo tempo. É sem dúvida esta combinação que faz dele imbatível, pelo menos em um futuro próximo: a histórica “esquerda” italiana agora resignadamente o aceita como destino. Essa aceitação silenciosa de Berlusconi como destino é talvez o aspecto mais triste de seu reinado. Seus atos são cada vez mais inescrupulosos: ele não só ignora ou politicamente neutraliza juridicamente as investigações sobre suas atividades criminosas para impulsionar seus interesses comerciais privados, como também busca minar sistematicamente a base da dignidade do chefe de Estado. A dignidade clássica da política é baseada na sua elevação acima do jogo de interesses específicos na sociedade civil: a política é "alienada" da sociedade civil, apresenta-se como a esfera ideal do cidadão, em contraste com o conflito de interesses que caracteriza a burguesia como egotista. Berlusconi efetivamente acaba com essa alienação: hoje na Itália, a base burguesa impiedosa e abertamente explora o poder estatal como um meio para a defesa dos seus interesses econômicos. E lava a roupa suja de seus conflitos maritais privados à maneira de um reality show vulgar, diante de milhões de espectadores sentados nos seus sofás. A aposta de Berlusconi nas suas indecentes vulgaridades está, naturalmente, em que as pessoas vão se identificar com ele, na medida em que ele aprova a mítica imagem ampliada da mídia italiana: “Eu sou um de vocês, um pouco corrupto, com problemas com a lei, tenho problemas com a minha mulher, porque outras mulheres me atraem...” Mesmo sua grandiosa promulgação como um grande e nobre político, il cavalliere, é mais como uma ópera ridícula do pobre homem com sonho de grandeza. E, no entanto, essa aparência de "um homem normal como todos nós” não deve nos iludir: por baixo da máscara desajeitada há um poder estatal que funciona com eficiência impiedosa.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



A hipótese comunista, segundo Zizek

Artigo publicado na revista Piauí, junho 2009.

Em contraste com a imagem clássica dos proletários que não têm "nada a perder além dos seus grilhões", o que nos une é o perigo de perdermos tudo: nosso meio ambiente, nosso patrimônio genético e a possibilidade de nos comunicarmos livremente
Em um magnífico texto curto, "Notas de um Publicista" - escrito em fevereiro de 1922, quando os bolcheviques, depois de, contra todas as expectativas, vencerem a guerra civil, precisaram recuar, adotaram a Nova Política Econômica e admitiram uma liberdade de ação muito mais ampla para a economia de mercado e a propriedade privada -, Lênin usa a analogia de um alpinista obrigado a retroceder em sua primeira tentativa de chegar a um novo pico para descrever o que significa o recuo num processo revolucionário, e como pode ser levado a cabo sem, oportunisticamente, trair a causa:
Imaginemos um homem que escala uma montanha muito alta, íngreme e até então inexplorada. Vamos supor que ultrapassou dificuldades e perigos inéditos, conseguindo atingir um ponto muito mais alto que qualquer um dos seus antecessores, mas que ainda não chegou ao cume. Ele se vê numa posição em que não é só difícil e perigoso prosseguir, na direção e pelo trajeto que escolheu, mas positivamente impossível.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009



Crise: modos de usar por Slavoj Zizek



Artigo de Slavoj Zizek, publicado por Folha de S. Paulo

Quando o herói de "Eles Vivem", de John Carpenter, uma das obras-primas esquecidas da esquerda de Hollywood, colocou um par de óculos de sol estranho que encontrou numa igreja abandonada, descobriu que um outdoor colorido que convidava as pessoas a passar férias numa praia do Hawai passava a ostentar apenas palavras cinzentas sobre um pano de fundo branco - "casem e reproduzam-se" -, enquanto um anúncio de uma nova TV a cores passava a dizer simplesmente "não pense, consuma!".
Em outras palavras, os óculos funcionavam como aparelho de crítica da ideologia, possibilitando ao protagonista enxergar a mensagem real oculta sob a superfície colorida. O que veríamos, então, se observássemos a campanha presidencial republicana com a ajuda de óculos como esses? A primeira coisa que chamaria a nossa atenção seria uma longa série de contradições e incoerências já observadas por muitos comentaristas. 

domingo, 27 de dezembro de 2009



Slavoj Žižek - What does it mean to be a revolutionary today? Marxism 2009


Este é um video com audio em inglês, que ainda não possui legendas em português. Vamos publicar o material original, aguardando a transcrição da conferência em português, tão logo esteja pronta publicaremos aqui. Optamos por aceitar o material exclusivamente em inglês pela importância do video.


Esperamos que aproveitem!










 

Atualização (28/01/2010): A transcrição do video está disponível aqui no site, você pode acessá-la diretamente clicando aqui.